
Lea T. no casting. Ela é transexual, brasileira, mora em
Milão e é assistente pessoal do estilista Riccardo Tisci. Lea, nascida Leandro, começou como uma das modelos de prova da Givenchy, foi parar na última campanha da grife, participou do desfile de alta-costura, apareceu na edição de Agosto italiana da Vanity Fair. Na foto marcante, ela aparece escondendo o que pretende tirar em uma cirurgia de mudança de sexo. No texto, Lea é colocada como a sensação da temporada, vide o contrato com a agência Woman que cuida de tops como Isabeli Fontana, Natasha Poly e Aline Weber, e é descrita pela revista com uma mulher que exala uma beleza imperial, retrô e andrógina. Sua presença na campanha de inverno 2010 da grife francesa Givenchy agitou os bastidores da moda e vem causando polêmica. Lea é filha ( rejeitada e não reconhecida ) do famoso jogador de futebol Toninho Cerezo, ex-jogador e atual treinador do Sport Club do Recife. Ele confirmou ter quatro filhos e que um deles chama-se Leandro. Ao ser perguntado sobre as imagens da Givenchy, o ex-craque do futebol desligou o telefone.
( fonte: Revista Criativa - Ed. Globo )
Que surjam mais e mais Leas por aí! fico feliz! :)

Estava agora pouco na padaria e tinha um travesti lá, fazendo suas compras de fim de tarde como eu. Era uma travesti elegante, bonita, classuda. E as atendentes da loja, todas olhavam e não escondiam aquele risinho que nós, homos, sabemos muito bem identificar. O fato é que a travesti era infinitamente mais linda, feminina e bem tratada que as pobres moças do balcão. Não era a travesti que estava fora de forma, com o cabelo descuidado, com a pele manchada, com o rosto cansado pelo trabalho duro no forno, na limpeza, enfim. Tento imaginar como uma mulher nesse estado se sente diante de uma transexual tão formosa.
Mas eu não acho que a travesti é superior ou está melhor que elas, ou vice versa. na verdade escrevo porque fiquei intrigado, tenso e pensando sobre isso. A questão dos travestis me mexe muito, me faz questionar um monte de coisas e ficar em cima do muro várias vezes. É algo incomum eu encontrar com algum travesti digamos, discreto à luz do dia, como hoje na padaria. Sempre tenho curiosidade sobre o que eles fazem durante o dia. Um amigo uma vez me disse que eles, os mais marginalizados se drogam e se dopam durante todo o dia e dormem, como vampiras. Como se elas não fossem capazes de suportar a vida à luz do sol, somente nas esquinas, debaixos dos postes de noite. Eu sempre achei uma grande aberração o fato de não se ver travestis trabalhando como qualquer pessoa. nos shoppings, nas agencias dos correios, dando aulas nas Escolas, sendo médicas, apresentando programas na TV. Óbvio que todos conhecem uma ou outra exceção em todas as áreas, mas são casos atípicos, pitorescos, populares, por mais que as pessoas ao redor deles se acostumem, são exceções. Eu falo de um modo geral, de uma idéia socialmente aceita, sem questionamentos. Você ainda questionaria se uma pessoa é ou não capaz de executar uma profissão por sua cor? é isso que quero dizer, existem questões que já foram superadas.
Sou fascinado pelas travestis. Arnaldo Jabor diz que elas é que são os verdadeiros centauros da mitologia. Tenho muitas curiosidades sobre elas. São femininas, mas não digamos, suaves, nada frágeis. pelo contrário. A que vi na padaria hoje é gigante. Penso que elas são agressivas, sempre prontas pra um ataque, um tratamento ríspido, talvez por viverem com tantos riscos, ameaças, ataques e hostilidades. tem que ser muito macho mesmo. Eu acredito que na escala de preconceitos contra os homossexuais, os travestis-transexuais estão na casta mais baixa e são os que mais sofrem. Mas não posso afirmar nada sobre as causas e as consequencias, nem das dores e prazeres que devem existir por alguém ter nascido transexual. Eu só tenho suposições. Eu realmente não entendo e não aceito o fato de que TODAS as pessoas transexuais DEVEM ser profissionais do sexo. não é possível que uma pessoa só nasce com a habilidade, com o talento de fazer sexo. As travestis que queiram continuar fazendo programa, que continuem! mas como sempre digo, deve haver a opção de não querer fazer também! a sociedade precisa se acostumar, e elas também.
Nesses
documentários que vi no Muza Blog sobre alguns travestis de BH, (
e nesse de Juiz de Fora ) você percebe que várias não fazem nenhuma questão de abandonar essa vida, por mais que tenha riscos e MUITOS riscos! Não duvido que exista uma classe média travesti, com várias delas morando em bons apartamentos no centro das cidades. Há todo um glamour entre elas, por mais que seja superficial. e muitas não estão nenhum pouco dispostas a abrir mão do padrão de vida consquistado pela venda do sexo, afinal prostituição é um negócio MUITO lucrativo. E elas sabem e dizem que jamais ganhariam o que ganham com empregos comuns. Aí que entra o dilema: Como elas vão tentar outras áreas do mercado de trabalho, se a sociedade e empregadores não as aceitam? Como elas vão continuar os estudos e entrar em uma Universidade se as escolas, professores, diretores e principalmente colegas de classe as hostilizam? Bulling, muito prazer! Ou somente são elas que não têm vergonha na cara e preferem a vida fácil? Muitas perguntas. muitas. nenhuma resposta. e acho tudo uma realidade muito triste.
Todo mundo adora chochar e rir de travestis caricatos. Um monte de
anti-divas como Vanessão, Laila Dominique são criados. Divas! poderosas! mas quero ver quem é que vai ter coragem de se aproximar de verdade de uma travesti. de ser amigo, de apresentar em casa pros pais e pros amigos. Realmente, estamos achando que travesti é bagunça.