segunda-feira, 5 de julho de 2010

os contextos

( por acaso passei o olho no player e vejo que a música tocando nesse momento que escrevo o post se chama Choosing Life, de Phillip Glass. não poderia ser mais conveniente e perfeito. )


Eis que foram meses de ensaio, falta de coragem pra ter a coragem, mimimis, irritação, cara feia e amigos pacientes. eu decidi sair do meu trabalho. alías, do meu emprego. É bom explicar que considero trabalho e empregos coisas completamente diferentes. Há fases na vida que a gente consegue conciliar os dois. geralmente artistas persistentes arrumam empregos pra bancarem seu trabalho, sua arte, podemos pensar assim.

Eu estava bem infeliz. muito infeliz. E não tenho medo parecer ingrato dizendo isso, com as pessoas que me colocaram lá. Pelo contrário, somos amigos o suficiente pra entender tudo que se passa ali, as coisas que não vamos conseguir mudar, e como precisamos e acreditamos que a hora-idade de aceitar novos desafios é agora, em que somos relativamente jovens.

Na verdade ainda estou vinculado a agencia. vou prestar serviços durante meio período, e vou ter a outra metade do dia pra tentar colocar meus projetos pessoais em prática, tentativa essa que foi a causa da decisão. Pode parecer bobo dizer, mas é no horário comercial que a copiadora funciona, que você pode ir ao correio, que a única papelaria vende aquele tipo de acetato fica aberta. são essas miudezas que você vai empurrando com a barriga e nunca sobra tempo é que deixam toneladas de bons projetos e idéias eternamente esquecidos em gavetas, moleskines, anotações perdidas no quarto. Eu não sei como será esse novo esquema. eu e empregadores estamos desconfiados, testando, e não temos certeza se esse acordo é o que realmente queremos. mas precisamos um do outro. e cada um acredita que é a prioridade deve ser seu lado. eu, meu lado humano, meus sonhos, minha carreira. eles, os empregadores, seus prazos, seus clientes, seus rendimentos. todos estão certos, talvez.

Eu tento evitar publicar minhas impressões do meio publicitário o qual estou inserido a quase 5 anos. Ando com publicitários, sou amigo de vários, meu primeiro estágio e empregos foram como ilustrador em laboratórios e agencias junior na Universidade. Muita gente acha realmente que sou publicitário-designer. Mas não sou. não gosto de trabalhar na área, e não quero crescer nessa área. e tenho tido essa dificuldade de sair dela. não to cuspindo no prato que comi. Acho que a publicidade séria produz coisas que me tiram o fôlego. aliás, há coisas em que não faz sentido usar denominações, já que parece não haver mais limites entre o que é arte e publicidade. ( passe 20 minutos no FFFFound e entenda ) infelizmente, as agencias, pelo menos aqui em Belo Horizonte, estão anos aquém do que poderia ser feito de interessante, ousado, diferente, estimulante. amigos da área em pouco tempo chegaram no máximo que seus cargos de criação e marketing podem atingir e pagar. ou você sai e monta seu escritório ( tomando cuidado pra não contrair o vírus da doença chamada Chefice ), ou vira sócio.enfim. eu poderia listar por horas todos os dissabores e mágoas da profissão.

Mas não é necessário. a comunicação humana por si só já é uma tensão constante. e quando envolvem clientes, dinheiro, multiplique essa tensão por 10. Eu preciso dizer que aprendi muitas técnicas e macetes que vão me ajudar demais daqui pra frente. não tenho medo de ficar desempregado. sou uma pessoa que não quer mais só um emprego. tanto que sumi minha carteira de trabalho, e não me interessei que assinassem outra. ok, eu sei, fiz muito errado, mas realmente não me importo. talvez eu seja um hippie, talvez esteja me achando muito esperto pra correr esses riscos, talvez eu não queira assumir tantas responsabilidades que exigem que bancamos pra serem dignos. eu não me importo muito agora. mas eu tenho medo, medo de falhar, medo de não dar conta do recado.

no meu primeiro dia de "empregado pela metade" eu não consegui trabalhar nos meus projetos pessoais. eu travei. tive uma crise de ansiedade e não sabia por onde começar. apareceram outras propostas de trabalho, outros caminhos inesperados. rotas surpresa. não estou tendo tempo pra raciocinar e nem pensar se são boas oportunidades. é tudo pra ontem-hoje-ao-mesmo-tempo-agora. O meu problema não é saber o que fazer. eu sei o que tenho que fazer. mas eu preciso clarear tudo e fazer. eu preciso respirar e me concentrar. não tá sendo fácil.

2 comentários:

Pedro disse...

Bom, em primeiro lugar parabéns pela iniciativa de eliminar (mesmo que em meio período) algo que te fazia mal e correr atrás do que realmente te importa (já que já vi N pessoas postergarem os próprios projetos e sonhos em função do emprego... Não que arte deva ser um antônimo de capitalismo, mas é algo que demanda tempo, paixão e dedicação)

(...acho que essa é uma daquelas horas em que eu devia ouvir minhas próprias palavras, mas enfim...)

Quanto à ansiedade e aos novos convites: são naturais (afinal não canso de dizer que seu trabalho é excelente); cabe a você esfriar a cabeça e ver o que quer fazer primeiro. Sem pressão, sem cobrança... pode ser uma coisinha pequena mesmo: aquela primeira coisa que te deu vontade de fazer (quem sabe o que se desenrolará dela?). "Uma jornada de mil milhas começa com um simples passo", como dizem...

(desculpa me meter assim)

Joapa disse...

bobagem Pedro, não tem essa de se meter não. você é sempre bem vindo aqui, sempre! =)

um dia de cada vez, e vamos todos com força na peruca atrás das coisas que acreditamos,não é isso? ninguém disse que seria fácil né?

brigado pelo apoio sempre. sucesso pra vc tb!

:**