sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O Índice Malu





Aqui do lado, enquanto tento colocar minha leitura em dia, escuto meu irmão ouvindo a Malu Magalhães sendo entrevistada ( ou dando grunhidos e barulhos estranhos ) pro Serginho Groisman. É uma reprise, mas eu posso jurar que estava aqui em casa ( Unaí ) nas outras férias de julho, nesse dia da Malu.

Enfim, toco no assunto Malu Magalhães pelo fato dessa garota ter se tornado uma espécie de metáfora e símbolo de várias coisas que passei em 2008. Foi em meados de fevereiro, numa cama quentinha e macia, acordando ou indo dormir, ele me pergunta: “sabe quem ta cantando?” aí que fiquei sabendo de fato, toda a história de menina prodígio e o hype da Malu. Foi um início de ano muito agradável, como quase sempre. E estava sendo um momento muito especial também, no quesito sentimental – romântico, em que estava convencido ter me curado de um fim de namoro catastrófico, e de cara conhecendo alguém fantástico , doce e que gostava da Malu Magalhães.



Foi durante essa época que eu comecei a simpatizar com a adolescente até então de sexualidade ambígua, mas que era doce e serena como o “ mocinho de Fevereiro”. Época do meu aniversário, fim da época chuvosa, dias calmos. Ouvir a Malu era estar freqüentemente se transportando para esses lugares aconchegantes, particulares. Criando laços muito mais em contextos afetivos do que musicalmente falando. ( música pra mim, é definitivamente algo que vai além de “música” – mas isso é assunto para outro post ).
Eu sabia que ele iria embora para a Europa em breve, e que teria pouco mais de um mês e meio para brincar de Love Story. O que não quer dizer que não foi intenso e verdadeiro. E a Malu, ali sempre do lado, surrando ou sei lá o quê. ( ainda vou descobrir um verbo adequado que defina os sons que saem da boca dela )

E o ano vai se passando, e me envolvo novamente com outro rapaz, que também adora a Malu. Sem estender tanto, foi uma história linda, mas que infelizmente não terminou da forma que a gente sempre sonha. Na verdade ainda estou processando e tentando entender o que foi, o que é, e o que esse relacionamento pode significar em minha vida. Talvez por ter tido episódios um tanto quanto mais tristes, ter a Malu como uma das músicas tema, por assim dizer, já não tem graça. Não é legal.
Digo nas mesas de bar, que aagora odeio Malu Magalhães, que a acho uma retardada, e por aí vai. Papo de boteco, give me um desconto. Mas sintetizando, é mais ou menos assim que acontece quando termino relacionamentos. É difícil e doloroso lidar com as lembranças e se ver voltando naqueles lugares particulares da memória do “nós”.
São lugares que podem ser desde o lugar mais sofisticado e luxuoso de Paris, ou o meio fio de uma rua suja do centro de Belo Horizonte, não importa. Pode tocar Malu Magalhães, Bjork, ou uma música Sertaneja.

Não que eu odeie hoje a pessoa que me fez odiar Malu Magalhães. Mas também não há como negar o peso que certas lembranças têm. Esse dilema entre querer esquecer tudo, apagar todos os vestígios e guardar no coração as coisas boas, nunca foi tão bem apresentada como no Brilho Eterno de Uma Mente sem lembraças. ( que adoro ). Mas no final de tudo, é apenas uma brincadeira, com uma pitada de humor ácido.

O mais engraçado é que aconteceu algo parecido com o namorado dela, esse Marcelo Camelo. Confesso que odeio com todas as forças esse boçal. “motivos” pessoais a partir de outras pessoas que já passaram por aqui, definitivamente não faltam. Pegaram pesado, viu.
São as várias faces e ecos do folkzinho da Malu nesse meu 2008. Pode ser que um dia eu volte a sorrir com ela, pode ser que a odeie ainda mais. É sempre um risco.


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Um comentário:

Thi Perini disse...

Pôxa...
uma das coisas mais bacanas que vc já escreveu e nenhum comentário?

Me impressiona sua capacidade de se dar, de gostar, de se apaixonar a ponto de doer. Não tenho mais idade pra isso.
Ou isso ou esqueço as coisas fácil demais.

Guardo todas as minhas lembranças e faço questão de não esquecer mas uma vez que tenha passado um tempo, são só histórias legais pra contar pra alguém numa mesa de boteco. Não me afeta.
Será que tou me tornando um corção de pedra?
Seja como for, é ótimo se deixar afetar assim. É ótimo ser sempre quente e nunca morno. Não viver pela metade. Assim, mesmo que as tristezas venham inteiras, completas, doloridas, as alegrias também acabam vindo completas.

Importante é se deixar ser afetado pelas coisas da vida.