quinta-feira, 15 de julho de 2010

Argentina, 15 de julho de 2010


A Argentina foi sempre o primeiro país que 99% dos meus amigos conheceram. Provavelmente deverá ser o meu também, ( ou México ). Quando lembro em Argentina, penso em alfajores, homens bonitos, mas com cortes de cabelo feios, sacolas de roupas da marca Zara, de amigos maravilhosos intercambistas argentinos que conheci na graduação e tenho saudade, dizem que o churrasco de lá também é incrível. Eu nunca tive muita paciência pra toda essa antipatia e birrinha brasileira com os argentinos, no futebol e em tudo mais. Se não tinha saco antes, hoje então, não suporto.

Hoje foi um dia histórico na América Latina. Foi aprovado na Argentina o casamento entre pessoas do mesmo sexo. uam conquista, um motivo pra se comemorar, pra se sentir feliz e mais otimista. Se eu tivesse uma bandeira dela, seria ela que eu colocaria na minha janela hoje. Parabens, hermanos. sinto me honrado, respeitado e com inveja de vocês, por terem dado uma lição de cidadania no Brasil e em toda a hipócrita América Latina.

Não sou das pessoas mais militantes pela causa gay, tenho até algumas posições contrárias a muitas atitudes dos grupos que se intitulam representantes. mas esse não é o foco. independente de sua posição política, é uma conquista de um direito básico, mesmo que um casamento não seja meu e seu interesse algum dia. é necessário termos todos os direitos ao nosso alcance. é um processo lento, mas necessário de mudança de mentalidade da sociedade que ainda não foi educada para lidar com esse fato. o fato que eu, você, e todos devemos ter nossos direitos humanos assegurados.

Enquanto existir nações ( pelo menos 10 ) que consideram a homossexualidade como crime, com até pena de morte, devemos pressionar de alguma forma, para que isso mude. A Igreja simplesmente terá que lidar com isso. vivemos em estado laico, isso não deve ser esquecido.

Eu ainda quero muito, a cada dia mais, ter minha família. poder usufruir de todos os direitos humanos essenciais com um companheiro, como cidadão, poder educar e criar uma criança, sem que isso soe como uma ofensa a ninguém. Uma amiga diz algo que concordo: Os gays, ao contrário dos héterossexuais não têm que necessariamente prestar contas à sociedade, no quesito de casar, mostrar o quanto tiveram êxito e se saíram bem sucedidos por constiturem uma família nos moldes tradicionais, seguindo o roteirinho. Segundo ela, os gays só se "casam" por pura vontade e afeto, desafiando todo os preconceitos que sabemos para tentar ao menos viver um pouco desse direito, muitas vezes por brechas na justiça.

Eu concordo. Enquanto o moralismo ainda existe, pra todas as orientações sexuais, de que se você não casa, tem um bom carro, uma esposa ou um marido gatinho, uma família comercial de margarina que almoça na churrascaria domingo e com uma casa com um belo jardim, você falhou, você é um derrotado. E os gays têm justamente lutado pra ter ao menos o direito de optar por essa vidinha pasteurizada e ordinária além da vida promíscua, fútil e espalhafatosa que já vivem. Qual modelo de vida escolher? quem está melhor? quem aproveita de verdade a vida? quem é um ser humano exemplar? O estilo família Doriana ou o estilo Party Monster?

não importa. O que importa é que hoje vimos uma luz no túnel. E que isso se reflita no Brasil, que sempre se achou superior e mais evoluído que a Argentina em tudo. Que a eterna disputa e rivalidade com ela encare esse desafio também, e compre essa briga. os gays daqui, agradecem.

Parabéns Argentina. você arrasou demais hoje.

2 comentários:

Pedro disse...

Também nunca entendi essa dita “rivalidade” entre o Brasil e a Argentina; pra mim sempre foi algo relativo, apenas, ao futebol (se bem que também tem gente que encara futebol como religião, né? Wathever, não é esse o ponto). Quanto ao contraste “vida-de-comercial-de-margarina/vida-cara-caramba-cara-cara-ô”, só acho que isso vai muito da definição de felicidade da pessoa.

Você quer ter uma família dentro (ou quase) da norma? Quer viver livre, leve e louco? Quer viver de aparências? Ta se lixando pro que pensem da sua vida? Enfim, é bastante relativo (mas, como você disse, ainda de direito da pessoa levar quaisquer estilo de vida que queira). E quanto ao matrimônio...

Well, não é novidade que o Estado é laico apenas em teoria, né? Tanto que, no Brasil mesmo, os partidos de base religiosa são os primeiros a interferir na criação e/ou aprovação de leis, mas se tem outra coisa que vários Estados parecem ter esquecido a muito tempo (e que, por si, eliminaria a necessidade de uma lei que “permitisse” o casamento entre gays) são os seguintes trechos...

Artigo I: Todas as pessoas nascem livres e IGUAIS EM DIGNIDADE E DIREITOS. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.

Artigo II: Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, SEM DISTINÇÃO DE QUALQUER ESPÉCIE, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.

(Declaração Universal dos Direitos Humanos)

Agora ganhei mais um motivo pra conhecer a Argentina (e, se bobear, por lá mesmo fico!) XP

b´´´ disse...

1- o homem tem o direito de viver pela sua própria lei
de viver da maneira que ele quiser;
de trabalhar como ele quiser;
de brincar como ele quiser;
de descansar como ele quiser;
de morrer quando e como ele quiser.

2- o homem tem o direito de comer o que ele quiser
de beber o que ele quiser;
de se abrigar onde quiser;
de se mover como queira na face da Terra.

3- o homem tem o direito de pensar o que ele quiser
de falar o que ele quiser;
de escrever o que ele quiser;
de desenhar, pintar, esculpir, gravar, moldar, construir como ele quiser;
de vestir-se como quiser.

4- o homem tem o direito de amar como ele quiser

5- o homem tem o direito de matar aqueles que possam frustrar esses direitos.

"Amor é a lei, amor sob vontade." (AL 1.57)