sábado, 12 de junho de 2010

Quando foi a última vez que você ganhou flores?



Eu, se não me engano, recebi um bouquet em 2007. Havia terminado um namoro dramático e cheio de machucados. Era um daqueles intervalos que chamo de limbo, você termina, volta, termina, tenta, dá um tempo, se encontra ( ou o popular Bad Romance ). Estávamos nos testando, creio. Lembro que naquele turbilhão de emoções, conversas tensas e choro, eu deletei todas minhas redes sociais. daí recebi aquele bouquet no meu trabalho, com as colegas de escritório ficando frenéticas com o romantismo daquele ato.

To com o bilhete aqui do lado. " Mesmo sem orkut, sem msn, sem fotolog, vou sempre arrumar uma maneira de saber como vc estah, pois me importo..te amo. Ass. XXXXX. "

E aqueles lírios ficavam ali, perfumando melancolicamente a sala. até murcharem completamente. eu não entendia o porquê de não dar gritinhos e suspiros como minhas amigas. Eu não deveria simplesmente achar lindo e romântico? havia algo errado. eu tinha uma suspeita.

As flores, em toda a nossa história tem uma simbologia. mutilamos esses pequeninos e frágeis orgãos reprodutores vegetais para fazer as pazes com o coração dos outros, e deixar o nosso mais confortável. celebramos, nos despedimos, nos reconciliamos através de flores. elas são testemunhas de quando a gente não sabe escolher as palavras. é tudo mais simples, uma flor diz pela gente, nos poupa. e tudo fica bem. ou deveria.

Então, retomando o episódio das flores que ganhei, a relação só foi se deteriorando a partir dali. tão rápida como as mesmas murcharam, nossos corações falharam. foi tudo bem triste na época, mas hoje passou. mas eu lembro, que um grande amigo me disse algo muito forte na época, quando o procurei pra expressar o desconforto que eu tinha com aquele bouquet, mas não sabia explicar. Esse amigo me disse, " João, Você parou para pensar que essas flores também podem ser flores de um funeral?" Sendo assim, tudo fez sentido, ou foi assim que aceitei. Fazemos funerais sem perceber. inconscientemente nos despedimos do que não há mais aquela fenda de esperança e renovação. relações humanas, de fato. Todas essas mini cerimônias de Adeus acontecem, e só leva um tempo pra gente perceber o que significaram. porque nos deslumbramos com as flores e seu perfume. no fundo, bem lá no fundo a gente sabe que é um adeus. mas não aceita.

E me recordo agora, das flores que dei de presente recentemente.

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2 comentários:

bruno bottino disse...

não sou de comentar, mas só queria deixar aqui o registro da minha admiração pelos seus textos certeiros e desenhos. :)

continue sempre.

Pedro disse...

"...que não seja infinito, posto que é chama, mas que seja eterno enquanto dure"; talvez por essa (às vezes, sub)consciência de que tudo tem um fim, vivamos nos despedindo. Nunca recebi flores, mas já ouvi uma mesma analogia de finitude de um frasco de perfume (a proporção direta entre o líquido no frasco e o amor, os resquícios de fragrância junto à ultima lágrima evaporada, dentre outras interpretações).

Tudo carrega uma mensagem (sendo ela de despedida ou não), mas acho que nada as transmite mais direta e claramente que as palavras, sejam elas quais forem.

(desculpe se falei demais)