quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Pare o que estiver fazendo e olhe pro céu. ( ou pelo menos pense nele )

Bag Raiders - Shooting Stars (Kris Menace Remix) by Kris Menace @ Bang

It's late and I'm awake
Staring at the wall
Open up my window
My head floats out the door

No one else around
And a shimmer takes my eye
I lift my head
I'm blinded by the sky

Feel my weight in front
Following the sound
It moves away so fast
I fall down to the ground

I know there's more to come
Jump back to my feet
And I only see ahead of me
Chasing down the street (down the street)

Gave my love to a shooting star
But she moves so fast
That I can't keep up
I'm chasing

I'm in love with a shooting star
But she moves so fast
When she falls then
I'll be waiting

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Fooled me again

A BIBLIOTECA DE BABEL - JORGE LUIS BORGES

A Biblioteca de Babel, conto de Jorge Luis Borges escrito em 1939, tem como pano de fundo a lendária cidadela da Babilônia, fundada em, aproximadamente, 1950 a.c., e onde foram encontradas as tábuas de argila, conhecidas como o suporte do primeiro sistema de escrita de que se tem registro. Babel, em hebraico, quer dizer confusão e o nome está diretamente relacionado à torre que os babilônios teriam construído para chegar ao céu e escapar do dilúvio. Por desafiar a autoridade de deus, segundo o Antigo testamento, a cidade foi destruída e os homens foram castigados com a introdução de várias línguas para impedir a sua comunicação.

Na versão do escritor argentino, a torre de Babel teria sido uma gigantesca biblioteca. com o funcionamento parecido ao de uma enorme máquina, cujas salas hexagonais se moviam constantemente, nessa cidade-biblioteca os moradores buscavam incessantemente por textos míticos que conteriam toda a sabedoria do universo, bem como as ideias que ainda estariam por vir. Porém, a busca nunca se completava já que a biblioteca, de tamanho e conteúdo ilimitados, possuía em grande parte textos completamente aleatórios e sem sentido para seus habitantes.

Via @revista Select

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O UNIVERSO (que outros chamam a Biblioteca) compõe-se de um número indefinido, e talvez infinito, de galerias hexagonais, com vastos poços de ventilação no centro, cercados por balaustradas baixíssimas. De qualquer hexágono, vêem-se os andares inferiores e superiores: interminavelmente.


A distribuição das galerias é invariável. Vinte prateleiras, em cinco longas estantes de cada lado, cobrem todos os lados menos dois; sua altura, que é a dos andares, excede apenas a de um bibliotecário normal.


Uma das faces livres dá para um estreito vestíbulo, que desemboca em outra galeria, idêntica à primeira e a todas. À esquerda e à direita do vestíbulo, há dois sanitários minúsculos. Um permite dormir em pé; outro, satisfazer as necessidades físicas. Por aí passa a escada espiral, que se abisma e se eleva ao infinito.


No vestíbulo ha um espelho, que fielmente duplica as aparências. Os homens costumam inferir desse espelho que a Biblioteca não é infinita (se o fosse realmente, para quê essa duplicação ilusória?), prefiro sonhar que as superfícies polidas representam e prometem o infinito…

A luz procede de algumas frutas esféricas que levam o nome de lâmpadas. Há duas em cada hexágono: transversais. A luz que emitem é insuficiente, incessante. Como todos os homens da Biblioteca, viajei na minha juventude; peregrinei em busca de um livro, talvez do catálogo de catálogos; agora que meus olhos quase não podem decifrar o que escrevo, preparo-me para morrer; a poucas léguas do hexágono em que nasci.


Morto, não faltarão mãos piedosas que me joguem pela balaustrada; minha sepultura será o ar insondável; meu corpo cairá demoradamente e se corromperá e dissolverá no vento gerado pela queda, que é infinita. Afirmo que a Biblioteca é interminável.


Os idealistas argúem que as salas hexagonais são uma forma necessária do espaço absoluto ou, pelo menos, de nossa intuição do espaço. Alegam que é inconcebível uma sala triangular ou pentagonal. (os místicos pretendem que o êxtase lhes revele uma câmara circular com um grande livro circular de lombada contínua, que siga toda a volta das paredes; mas seu testemunho é suspeito; suas palavras, obscuras. Esse livro cíclico é Deus). Basta-me, por ora, repetir o preceito clássico: “A Biblioteca é uma esfera cujo centro cabal é qualquer hexágono, cuja circunferência é inacessível”.



A cada um dos muros de cada hexágono correspondem cinco estantes; cada estante encerra trinta e dois livros de formato uniforme; cada livro é de quatrocentas e dez páginas; cada página, de quarenta linhas; cada linha, de umas oitenta letras de cor preta.

Também há letras no dorso de cada livro; essas letras não indicam ou prefiguram o que dirão as páginas. Sei que essa inconexão, certa vez, pareceu misteriosa. Antes de resumir a solução (cuja descoberta, apesar de suas trágicas projeções, é talvez o fato capital da história), quero rememorar alguns axiomas.


O primeiro: a Biblioteca existe ab aeterno. Dessa verdade cujo corolário imediato é a eternidade futura do mundo, nenhuma mente razoável pode duvidar. O homem, o imperfeito bibliotecário, pode ser obra do acaso ou dos demiurgos malévolos; o Universo, com seu elegante provimento de prateleiras, de tomos enigmáticos, de infatigáveis escadas para o viajante e de latrinas para o bibliotecário sentado, somente pode ser obra de um deus.


Para perceber a distância que há entre o divino e o humano, basta comparar esses rudes símbolos trémulos que minha falível mão garatuja na capa de um livro, com as letras orgânicas do interior: pontuais, delicadas, negríssimas, inimitavelmente simétricas.

O segundo: O número de símbolos ortográficos é vinte e cinco[1]. Essa comprovação permitiu, depois de trezentos anos, formular uma teoria geral da Biblioteca e resolver satisfatoriamente o problema que nenhuma conjectura decifrara: a natureza disforme e caótica de quase todos os livros.


Um, que meu pai viu em um hexágono do circuito quinze noventa e quatro, constava das letras M C V perversamente repetidas da primeira linha ate à última. Outro (muito consultado nesta área) é um simples labirinto de letras, mas a página penúltima diz Oh, tempo tuas pirâmides.

Já se sabe: para uma linha razoável com uma correta informação, há léguas de insensatas cacofonias, de confusões verbais e de incoerências. (Sei de uma região montanhosa cujos bibliotecários repudiam o supersticioso e vão costume de procurar sentido nos livros e o equiparam ao de procurá-lo nos sonhos ou nas linhas caóticas da mão… Admitem que os inventores da escrita imitaram os vinte e cinco símbolos naturais, mas sustentam que essa aplicação é casual, e que os livros em si nada significam. Esse ditame, já veremos, não é completamente falaz).



Durante muito tempo, acreditou-se que esses livros impenetráveis correspondiam a línguas pretéritas ou remotas. É verdade que os homens mais antigos, os primeiros bibliotecários, usavam uma linguagem assaz diferente da que falamos agora; é verdade que algumas milhas à direita a língua é dialetal e que noventa andares mais acima é incompreensível.

Tudo isso, repito-o, é verdade, mas quatrocentas e dez páginas de inalteráveis M C V não podem corresponder a nenhum idioma, por dialetal ou rudimentar que seja. Uns insinuaram que cada letra podia influir na subsequente e que o valor de M C V na terceira linha da página 71 não era o que pode ter a mesma série noutra posição de outra página, mas essa vaga tese não prosperou. Outros pensaram em criptografias; universalmente essa conjectura foi aceite, ainda que não no sentido em que a formularam seus inventores.


Há quinhentos anos, o chefe de um hexágono superior[2] deparou com um livro tão confuso quanto os outros, porém que possuía quase duas folhas de linhas homogêneas. Mostrou o seu achado a um decifrador ambulante, que lhe disse que estavam redigidas em português; outros lhe afirmaram que em iídiche. Antes de um século pôde ser estabelecido o idioma: um dialeto samoiedo-lituano do guarani, com inflexões de árabe clássico.


Também decifrou-se o conteúdo: noções de análise combinatória, ilustradas por exemplos de variantes com repetição ilimitada. Esses exemplos permitiram que um bibliotecário de gênio descobrisse a lei fundamental da Biblioteca. Esse pensador observou que todos os livros, por diversos que sejam, constam de elementos iguais: o espaço, o ponto, a vírgula as vinte e duas letras do alfabeto.


Também alegou um fato que todos os viajantes confirmaram: “Não há, na vasta Biblioteca, dois livros idênticos”. Dessas premissas incontrovertíveis deduziu que a Biblioteca é total e que suas prateleiras registram todas as possíveis combinações dos vinte e tantos símbolos ortográficos (numero, ainda que vastíssimo, não infinito), ou seja, tudo o que é dado expressar: em todos os idiomas.

Tudo: a história minuciosa do futuro, as autobiografias dos arcanjos, o catálogo fiel da Biblioteca, milhares e milhares de catálogos falsos, a demonstração da falácia desses catálogos, a demonstração da falácia do catalogo verdadeiro, o evangelho gnóstico de Basilides, o comentário desse evangelho, o comentário do comentário desse evangelho, o relato verídico de tua morte, a versão de cada livro em todas as línguas, as interpolações de cada livro em todos os livros; o tratado que Beda pôde escrever (e não escreveu) sobre a mitologia dos saxões, os livros perdidos de Tácito.


Quando se proclamou que a Biblioteca abarcava todos os livros, a primeira impressão foi de extravagante felicidade. Todos os homens sentiram-se senhores de um tesouro intacto e secreto. Não havia problema pessoal ou mundial cuja eloquente solução não existisse: em algum hexágono. o Universo estava justificado, o Universo bruscamente usurpou as dimensões ilimitadas da esperança.


Naquele tempo falou-se muito das Vindicações: livros de apologia e de profecia, que para sempre vindicavam os actos de cada homem do Universo e guardavam arcanos prodigiosos para seu futuro. Milhares de cobiçosos abandonaram o doce hexágono natal e precipitaram-se escadas acima, premidos pelo vão propósito de encontrar sua Vindicação.


Esses peregrinos disputavam nos corredores estreitos, proferiam obscuras maldições, estrangulavam-se nas escadas divinas, jogavam os livros enganosos no fundo dos túneis, morriam despenhados pelos homens de regiões remotas. Outros enlouqueceram… As Vindicações existem (vi duas que se referem a pessoas do futuro, a pessoas talvez não imaginarias) mas os que procuravam não recordavam que a possibilidade de que um homem encontre a sua, ou alguma pérfida variante da sua, é computável em zero.

Também se esperou então o esclarecimento dos mistérios básicos da humanidade: a origem da Biblioteca e do tempo. É verosímil que esses graves mistérios possam explicar-se em palavras: se não bastar a linguagem dos filósofos, a multiforme Biblioteca produzirá o idioma inaudito que se requer e os vocabulários e gramáticas desse idioma. Faz já quatro séculos que os homens esgotam os hexágonos…


Existem investigadores oficiais, inquisidores. Eu os vi no desempenho de sua função: chegam sempre estafados; falam de uma escada sem degraus que quase os matou; falam de galerias e de escadas com o bibliotecário; ás vezes, pegam o livro mais próximo e o folheiam, á procura de palavras infames. Visivelmente, ninguém espera descobrir nada.

A desmedida esperança, sucedeu, como e natural, uma depressão excessiva. A certeza de que alguma prateleira em algum hexágono encerrava livros preciosos e de que esses livros preciosos eram inacessíveis afigurou-se quase intolerável. Uma seita blasfema sugeriu que cessassem as buscas e que todos os homens misturassem letras e símbolos, até construir, mediante um improvável dom do acaso, esses livros canônicos.


As autoridades viram-se obrigadas a promulgar ordens severas. A seita desapareceu, mas na minha infância vi homens velhos que demoradamente se ocultavam nas latrinas, com alguns discos de metal num fritilo proibido, e debilmente arremedavam a divina desordem.

Outros, inversamente, acreditaram que o primordial era eliminar as obras inúteis. Invadiam os hexágonos, exibiam credenciais nem sempre falsas, folheavam com fastio um volume e condenavam prateleiras inteiras: a seu furor higiênico, ascético, deve-se a insensata perda de milhões de livros. Seu nome é execrado, mas aqueles que deploram os “tesouros” destruídos por seu frenesi negligenciam dois fatos notórios.


Um: a Biblioteca é tão imensa que toda redução de origem humana resulta infinitesimal. Outro: cada exemplar é único, insubstituível, mas (como a Biblioteca é total) há sempre várias centenas de milhares de fac-símiles imperfeitos: de obras que apenas diferem por uma letra ou por uma virgula. Contra a opinião geral, atrevo-me a supor que as consequências das depredações cometidas pelos Purificadores foram exageradas graças ao horror que esses fanáticos provocaram. Urgia-lhes o delírio de conquistar os livros do Hexágono Carmesim: livros de formato menor que os naturais; onipotentes, ilustrados e mágicos.


Também sabemos de outra superstição daquele tempo: a do Homem do Livro. Em alguma estante de algum hexágono (raciocinaram os homens) deve existir um livro que seja a cifra e o compêndio perfeito de todos os demais: algum bibliotecário o consultou e é análogo a um deus.

Na linguagem desta área persistem ainda vestígios do culto desse funcionário remoto. Muitos peregrinaram á procura d’Ele. Durante um século trilharam em vão os mais diversos rumos. Como localizar o venerado hexágono secreto que o hospedava? alguém propôs um método regressivo: Para localizar o livro A, consultar previamente um livro B, que indique o lugar de A; para localizar o livro B, consultar previamente um livro C, e assim até o infinito…


Em aventuras como essas, prodigalizei e consumi meus anos. Não me parece inverosímil que em alguma prateleira do Universo haja um livro total; rogo aos deuses ignorados que um homem – um só, ainda que seja há mil anos! – o tenha examinado e lido. Se a honra e a sabedoria e a felicidade não estão para mim, que sejam para outros. Que o céu exista, embora meu lugar seja o inferno. Que eu seja ultrajado e aniquilado, mas que num instante, num ser, Tua enorme Biblioteca Se justifique.


Afirmam os ímpios que o disparate é normal na Biblioteca e que o razoável (e mesmo a humilde e pura coerência) é quase milagrosa exceção. Falam (eu o sei) de “a Biblioteca febril, cujos fortuitos volumes correm o incessante risco de transformar-se em outros e que tudo afirmam, negam e confundem como uma divindade que delira”.


Essas palavras, que não apenas denunciam a desordem mas que também a exemplificam, provam, evidentemente, seu gosto péssimo e sua desesperada ignorância. De fato, a Biblioteca inclui todas as estruturas verbais, todas as variantes que permitem os vinte e cinco símbolos ortográficos, porém nem um único disparate absoluto. Inútil observar que o melhor volume dos muitos hexágonos que administro intitula-se Trono Penteado, e outro A Cãibra de Gesso e outro Axaxaxas mlö.


Essas proposições, à primeira vista incoerentes, sem dúvida são passíveis de uma justificativa criptográfica ou alegórica; essa justificativa é verbal e, ex hypothesi, já figura na Biblioteca. Não posso combinar certos caracteres

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que a divina Biblioteca não tenha previsto e que em alguma de suas línguas secretas não contenham um terrível sentido. Ninguém pode articular uma sílaba que não esteja cheia de ternuras e de temores; que não seja em alguma dessas linguagens o nome poderoso de um deus. Falar é incorrer em tautologias.


Esta epístola inútil e palavrosa já existe num dos trinta volumes das cinco prateleiras de um dos incontáveis hexágonos – e também sua refutação. (Um numero n de linguagens possíveis usa o mesmo vocabulário; em alguns, o símbolo biblioteca admite a correta definição ubíquo e perdurável sistema de galerias hexagonais, mas biblioteca é pão ou pirâmide ou qualquer outra coisa, e as sete palavras que a definem tem outro valor. Você, que me lê, tem certeza de entender minha linguagem?)


A escrita metódica distrai-me da presente condição dos homens. A certeza de que tudo está escrito nos anula ou nos fantasmagórica. Conheço distritos em que os jovens se prostram diante dos livros e beijam com barbárie as páginas, mas não sabem decifrar uma única letra.

As epidemias, as discórdias heréticas, as peregrinações que inevitavelmente degeneram em bandoleirismo, dizimaram a população. Acredito ter mencionado os suicídios, cada ano mais frequentes. Talvez me enganem a velhice e o temor, mas suspeito que a espécie humana – a única – está por extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta.

Acabo de escrever infinita. Não interpolei esse adjetivo por costume retórico; digo que não é ilógico pensar que o mundo é infinito. Aqueles que o julgam limitado postulam que em lugares remotos os corredores e escadas e hexágonos podem inconcebivelmente cessar – o que é absurdo. Aqueles que o imaginam sem limites esquecem que os abrange o número possível de livros.


Atrevo-me a insinuar esta solução do antigo problema: A Biblioteca é ilimitada e periódica. Se um eterno viajante a atravessasse em qualquer direção, comprovaria ao fim dos séculos que os mesmos volumes se repetem na mesma desordem (que, reiterada, seria uma ordem: a Ordem). Minha solidão alegra-se com essa elegante esperança.




[1] expressão popular para resplendor.

[2] Mesmo que gupiara, depósito de diamantes.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

music makes the people come together?


Se tem um poder que a boa música + pista de dança tem é o de fazer, mesmo que por algumas horas - você se esquecer das tristezas, dores, mágoas, stress e loucura do seu cotidiano. é a manifestação de Eros, quando você se entrega para bons djs, com boas cias, e claro, com aquela cerveja absurdamente gelada ou aquele drink que você adora. Tava com saudade de brincar de ser cosplay de DJ e nessas próximas semanas vou tocar em duas festas muito especiais e queridas. a primeira é nesse sábado, na UP - a famosa POP it Up! do querido Cristiano, onde faremos um duelo meio de brincadeira, meio sério com as divônnicas Kylie X Madonna. quem já conhece a POP it Up! sabe que a festa é uma gostosura que só! confira todas as infos e line Up aqui no evento!




A outra festa que convido é semana que vem no Velvet Club! Vira o Disco, como o levemente ácido nome sugere é uma proposta que tenta fazer um resgate de sonoridades que não se intimidam com a supremacia das baladas pop que tomaram conta de Belo Horizonte. Matar a saudade de ouvir aquele disco House esperto, aquele electro hipnotizante, sem frescuras e afetações. Vamos fazer aquele Velvet virar o Disco! groove até falar chega. Tô preparando um set beeem especial pra esse dia, pra terminar o ano e se despedir de BH com o corpo e alma lavados! Demais infos, lineup aqui no evento! amigos, leitores que moram ou estarão em BH nesses fins de semana, estão mais que convidados, quero dar um forte abraço nos queridos e por todo mundo pra dançar! See ya!

The fear

I want to be rich and I want lots of money
I don't care about clever I don't care about funny
I want loads of clothes and fuckloads of diamonds
I heard people die while they are trying to find them
I don't know what's right and what's real anymore
And I don't know how I'm meant to feel anymore
When do you think it will all become clear
Cause I'm being taken over by the fear

When do you think it will all become clear
Cause I'm being taken over by the fear

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

pra quem está de fora







Há poucos dias atrás conheci o projeto Hotel Room Portraits do casal Richard Renaldi e Seth Boyd. Rinaldi é um fotográfo com vários trabalhos para nomes fortes como Vogue, New York Times, Advocate, entre outros. Os Hotel Room Portrais são obviamente, um registro pessoal dos dois nos quartos de hotéis pelos diversos países visitados. Pela pesquisa rápida que fiz, as imagens desse projeto vão de 1999 a 2009. 10 anos colecionando e compartilhando com o mundo momentos de ternura, intimidade, sossego, paz e muito amor.

Não sei se o casal ainda está junto hoje. Na verdade já havia visto algumas das fotos deles espalhadas no Tumblr, mas não sabia da origem. Também não negarei que a primeira coisa que me chamou a atenção foi a beleza física dos dois retratados, depois fui pensar nas cores, composição,etc.

imagem que acredito ser a mais famosa do projeto no Tumblr


minha favorita.



Mas há outras razões que me levaram a fazer esse post. na verdade, tenho mais vontade de extrair questionamentos desse projeto do que expressar o que acho, ler outras opiniões e leituras sobre o que existe além da inicial contemplação e os discursos que essas imagens possuem.

O que os Hotel Rooms Portraits dizem para você? Um trabalho tocante delicado e forte ao mesmo tempo? Um ato de coragem ao expor suas intimidades para o mundo? Exibicionismo de um padrão estereotipado de beleza? A afirmação de um ideal de felicidade inalcançável para a maioria dos mortais (gays) ? Um pouco de cada uma dessas coisas? Queria saber o que pensam..

Pessoalmente, eu vejo o trabalho mais como uma espécie de fetiche. Não o fetiche no sentido pelo qual todos já estamos acostumados, aquele cliché sexual que envolve adereços, taras e locais bizarros para transar. Acho que Richard e Seth jogam com o fetiche da ternura, o fetiche do amor perfeito e sublime, que na minha opinião é a síntese de todo o escapismo e ideal estético que o Tumblr sustenta na mente de tantas pessoas.

O Tumblr, é como se fosse um mundo em que você pudesse construir à maneira dos seus sonhos. Um mundo onde tudo é pleno, perfeito e escancaradamente lindo. basta seguir as páginas que contenham os ingredientes que você precisará na produção do seu lugar perfeito. homens lindos, sem roupa, mas com cara de carentes, bilhetes de amor eterno, paisagens oníricas, campos salpicados de orvalho, a temperatura sempre amena, sem excesso de calor, sem excesso de frio. quartos aconchegantes, cobertores macios, chás, cafés com creme, tortas deliciosas. rastros da passagem de alguém especial que você pode chamar de seu, e muito, mas muito amor de sobra. um mundo onde não existe sujeira, excessos, pobreza, falhas e absolutamente nenhuma feiura.

Mas tudo isso não é visto somente no Tumblr e muito menos é novidade. Qualquer Vogue que você veja também se presta ao mesmo papel de exaltar o belo e fazer com que você se sinta necessitado de tudo aquilo pra ter poder e se sentir melhor. A questão nem é o Tumblr. só o citei pois foi nele que conheci o casal. Foco no fetiche da ternura que o casal expõe. E penso nas reações que eles provocam em mim e no restante das pessoas. em 99% dos reblogs, era nítido que os dois eram uma espécie de objetivo e sonho que aqueles gays talvez não tão bonitos, talvez sem tanto dinheiro nutriam em seus corações solitários enquanto viam e postavam coisas no Tumblr, talvez numa noite solitária e fria.

Somos levados a suspirar e perseguir o ideal de amor e pureza que as fotos nos hotéis passam. Queríamos estar ali, descansando após um dia intenso e cansativo de passeios incríveis, compras, após o jantar delicioso no restaurante que conheceram naquela noite. com aquela média embriaguez gostosa que só temos quando bebemos com quem a gente ama. naquele quarto imaculado de hotel, com aqueles lençóis tão limpos e macios. aquele quarto de hotel será nosso mundo secreto, só nosso, durante 5 ou 6 dias. porque não compartilhar isso com o mundo?

Ninguém tem o direito de dizer se tudo isso é honesto ou não. Ninguém pode afirmar com certeza o que se passava naqueles quartos além dos dois. Mas eu acredito que qualquer um pode e deve pensar e sentir além do desejo. do desejo de ser como eles, do desejo de querer um deles e de estar no lugar deles. As imagens tem o poder de fazer com nos sentimos mais feios e piores do que elas, pois são imagens, hologramas que você não pode tocar. Nesse sentido se constrói o fetiche e a angústia. tanto o coração quanto o pênis se constituem de músculos. a tensão de sexo se confunde com a tensão de um não amor aqui comigo e com você agora. Será que essas imagens causam um dano em quem está carente e bem fraco? Será que elas são boas por levarem a possibilidade do sonho via banda larga pra tantos outros?

Como iniciei, o post quer expressar as perguntas que me faço agora. perguntas que se misturam com lembranças, reflexos, repetições. Tenho questionado o uso da palavra amor. Tenho refletido sobre sua concepção. relativizando seu conceito. Me pergunto se o amor de fato, seja lá o que seja, pode ser assimilado como um fetiche. Você aceita seu amor como um fetiche? aliás, há como falar de amor que não seja um fetiche? algum dia o conceito de amor deixou de ser um mero fetiche? ou seria o amor romântico o maior fetiche já criado pelo homem?

Pra quem já viveu algumas das cenas dos Hotel Rooms Portraits, mas não viverá mais, talvez entenda tantas perguntas. ficaram as bonitas imagens dos dois, ao menos. e para quem não registrou os quartos dos hotéis? qual o lugar da memórias? como salvá-las?

Memories are not recycled as atoms and particles and quantum physics, they may be lost forever. It's as if my past was an unfinished painting, and as a painter, I fill all the spaces ugly and make it beautiful again.
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Lembrei do quanto você gostava de ficar horas vendo e apreciando imagens como as desse projeto. Sei o quanto elas são bonitas e prazerosas para você. Sei que elas te tocam, sei que elas mexem e produzem sonhos, suspiros e ternura no seu coração.

Sabemos que se quiséssemos poderíamos ter feito nossa pequena versão dos Hotel Room Portraits. Mas não.





Sonhos. passado, futuro. presente.

"Enxergar além do desejo, entender que precisamos de fatos."











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