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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

é preciso escrever e registrar tudo



justamente para não esquecer, principalmente do que incomoda a alma. é preciso registrar para voltar depois e compreender. É preciso ( Eu preciso ) transformar caminhos diários em imagens para espantar as vozes. é preciso esgotar esses caminhos, procurar novas ruas, trechos, itinerários. é preciso ser forte e continuar caminhando com os olhos cheios de água e ainda assim perceber as imagens e ignorar as vozes.

Existe amor em BH? Em SP dizem que já não existe mais: http://www.youtube.com/watch?v=f35HluEYpDs


















terça-feira, 1 de novembro de 2011

Coração congelado

Ontem e hoje minhas narinas arderam com esse vento gelado que sopra em Belo Horizonte e me lembrei daquele outro vendo polar da Argentina. Lembrei também da luz e das cores que "o ar" daquela cidade tinha, lembrei da mão que me guiava por cada esquina, cada grande avenida, e de cada música que se tornaria tema a partir dali.

Quando lembro de tudo isso, meu coração se congela junto, sem a chama que o mantinha sempre quente e pulsando. me sinto parado diante de imagens do nosso próprio filme, assistindo e não sabendo se fico aqui revendo a glória de um passado de absoluta felicidade ou saio correndo, desesperado para não deixar a tristeza da nostalgia e o sentimento de ausência tomarem conta.

Ouço a trilha de Evita e invento histórias. Esqueci um pedaço da minha alma em algum lugar de Buenos Aires, como os anti monumentos que estão naquelas calçadas.

Eu queria respirar esse sopro de ar ( quente ) denovo.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Madre Monster, Mater Dulcissima

Tirei uma semana fora de Belo Horizonte para rever minha família, o que não fazia desde janeiro. Me propus a visitá-los mais vezes este ano, e ainda não é esta freqüência que gostaria que fosse. De todo modo, incomodado ou inspirado por um desejo que me persegue já faz algum tempo, revisitei lugares. escolas, ruas, pracinhas, igrejas que tiveram uma relevância muito pessoal e forte na minha vida, que não via à uns 8 anos.. e como tudo muda e ao mesmo tempo mantém uma essência eterna. é muito paradoxo. é estranho essa coisa, o tempo na nossa memória e coração.

Estou angustiado, engasgado e com vontade de chorar escondido por não entender o que realmente todas essas coisas significam pra mim a partir de agora. muitas vezes em Belo Horizonte me peguei fuçando sites, perfis em redes sociais de ex colegas do colégio por curiosidade, é claro, mas também por uma força de tentar resgatar e lembrar que eu também tenho uma história pra lembrar. o que fui, como foi, de onde vim. Tenho medo do futuro, tenho medo da solidão, como qualquer ser humano. tenho medo da morte, de perder as pessoas que amo, por mais que saiba que isso vai acontecer. me senti relaxado voltando a respirar o ar da minha terra, a estrada, o capim. de volta.

não vou ser hipócrita de dizer que tenho saudade de uma ou outra pessoa dessa época. mas tenho saudade de um tempo em que acreditava que viveria para sempre. que não sentia o tempo passar. eu sei, estou escrevendo assim porque me sinto velho, mas não vou negar. amanhã é o meu último dia aqui em Unaí, e me sinto devastado, com o coração angustiado, e muito, muito fraco diante de um ciclone de sentimentos antagônicos que me cerca. não estou triste por algum episódio específico, mas temeroso pelas mudanças drásticas que eu sinto que virão a partir de agora e que vão afetar a todos que amo.

Tenho o orgulho de dizer que nasci numa família privilegiada. não por ter dinheiro, fama ou reconhecimento profissional. mas por serem as pessoas mais puras que eu já conheci em toda a minha vida, não por serem meus pais. todos estudaram até a quarta série, mas são os dois mais modernos e de mente aberta que eu conheço. não pensem que falo isso agora querendo pagar de família de comercial de margarina, pois estamos longe disso como família. somos mais família Adams com família Buscapé, digamos assim. já brigamos muito, e feio. já nos machucamos, já erramos muito neste processo. já deixamos tristezas e feridas um ao outro. hoje refletimos. e pensamos no quanto é pior viver sem o outro.

Desde que saí de casa, minha mãe ficou mais murcha. como uma flor. A minha mãe, talvez o que mais me fascina nela, é essa capacidade que ela tem de ser tão forte, e tão frágil ao mesmo tempo. já me choquei com a capacidade dela de encarar crises e problemas assustadores de frente, de aceitar e superar desafios que a maioria das pessoas não aguentaria e com uma bravura que eu tenho certeza que não teria. Mas agora, meus irmãos também cresceram. ela não tem curso superior, profissão, e como passou a sua vida inteira só cuidando dos outros, da gente, filhos, sobrinhos, primos, avós, agora ela não sabe o que fazer com ela. ela não sabe se ver como mulher, pois só aprendeu a ser e se ver como mãe. como cuidadora. como cuidar dela? quem vai cuidar dela? como posso fazer algo pra que ela não murche mais? como lidar com esse olhar triste? me sinto patético, um fracassado por não saber o que fazer.

é estranho ter toda a generosidade e amor do mundo disponíveis pra você tão longe. não que em BH não tenha, mas o amor de mãe é sempre incondicional e diferente, pelo menos no meu caso eu posso falar. Não consigo imaginar outra imagem que não seja a Pietá, a virgem pra ilustrar a melancolia e amor transcendental que vejo em minha mãe. tão frágil agora, tão pequena. tanto carinho e amor aqui, e lá fora, quando voltar depois de amanhã tanta falsidade, tanta guerra, tanta cobrança, tanto individualismo, tanta competição e principalmente tão pouca generosidade. passei 7 anos suportando e levando todos os golpes do estilo de vida que escolhi, e sempre soube que não seria fácil. várias vitórias, vários tropeços, feridas. ainda há caminho demais pra se percorrer. Queria me sentir mais forte agora e proteger alguém.

eu sei que quando despedir, ela chorará. como sempre.

Eu queria ficar. mas não posso. e isso não está certo.


sábado, 12 de março de 2011

é muita tristeza


Preciso dizer que faltam palavras para expressar o quanto meu coração está triste com toda a tragédia natural que se passa no Japão. É uma sensação profunda e pesada de impotência, melancolia, choque, perplexidade e medo. de perda, de dor, por mais que eu não tenha nenhuma pessoa querida que conheça lá. Sei que não tenho também nenhuma raíz nipônica, nunca estive lá, mas sou profundamente apaixonado por toda a cultura desse país, que influencia diretamente meu trabalho, esteticamente, está nas músicas que ouço, nos artistas que aprecio, na forma como vejo o mundo, nos quadrinhos e animes que já me cativaram, na comida que amo, em tudo. Tenho certeza que vivi no Japão em alguma vida passada.

A dor é igual para todos, não importa se é Japão, Rio de Janeiro, Haiti. Eu desejo e espero do fundo do coração que todos os japoneses sejam fortes como sempre foram no quesito superação de desgraças, e juntos consigam recomeçar do zero, reconstruindo suas vidas, lares, e continuem enchendo o mundo de coisas boas. Quando o Japão está menos colorido, e olhos grandes melancólicos, todo o mundo fica mais triste também. É inevitável não pensar que essas imagens tão tristes não sejam uma amostra do fim do mundo. estou tentando não vê-las.

todo meu amor e preces à todas as vítimas japonesas.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

dançando como se ninguém estivesse vendo

Robyn 'Dancing On My Own' (Official Video) from Robyn on Vimeo.

Estou muito triste e arrasado. Um grande amigo, na verdade um dos meus primeiros amigos em Belo Horizonte está muito doente. em estado gravíssimo na UTI, e somente um tipo raro e complexo de transplante poderá salvá-lo. Me sinto completamente apático, resignado e triste, sem ter o que fazer. não sei mais fazer preces. e ainda me sinto revoltado por ele ser tão jovem. ninguém deveria morrer. ninguém. nessas horas penso na vida. no que estamos fazendo com essa porra da nossa vida. nunca perdi nenhum amigo. não quero perder. Alexandre, levanta logo dessa cama, e vem tomar cerveja e falar bobagem comigo denovo!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Nan Goldin

“Heart-shaped bruise”

aproveito e faço uma enquete: Só é amor se tiver dor?


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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Diante da dor do menino sem nome,

Me recolho na perplexidade diante do fato. Que exista algum Deus que possa aliviar o quanto antes sua dor, pequeno menino. Que a amnésia caia algum dia sobre tudo isso. que você possa ficar bem, e longe desse cenário macabro, que é a sua família, se é que podemos chamar essas pessoas de família. Me pergunto agora as causas, os motivos que levaram essas pessoas a fazerem isso com você. não há dor, trauma ou passado que justifique. Esse processo de levar a dor adiante não pode ser tolerado. tenho medo do que você verá quando acordar. e me sinto fraco e deprimido por pensar que atrocidades parecidas como essa são frequentes dentro de vários lares e não chegam ao público. Você será esquecido, como a menina Isabela Nardoni, como o menino João Hélio. talvez isso não faça diferença alguma. Só queria que você esquecesse tudo agora, tudo. e que voltasse a ser apenas um menino, somente um menino como qualquer outro.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

2008

começou 2008, após o carnaval.

começou a dor de cabeça. começou o mundo dos adultos, o qual voltei.

confesso que não há nada de mais ridículo você se estressar com dinheiro, e o o pior, por pouco dinheiro, mas que você depende. e nada mais humilhante e destruidor discutir com o dono do apartamento que você aluga. é péssimo, é horrendo. ainda mais se a pessoa é grosseira.

as vezes penso que gostaria de ser uma pessoa grossa, daquelas que levantam a voz, e xingam mesmo no momento de raiva. vejo que esse método é eficiente, e causa pânico e dor com toda a intensidade.

demon days aqui.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

eu nunca estive tão mal. eu nunca me senti tão ruim. choro quase todos os dias.

por que?


pela sensação de arrependimento, por achar que é tarde demais pra reconhecer o quanto alguém que você desprezou antes, agora é importante pra vc.

o quanto vc a ama.

o quanto ela faz falta na sua vida.

nada é mais o mesmo.


são as coisas dessa vida.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

when the love really ends




Querido Red,


O que eu suspeitava aconteceu. Eu realmente estou ficando cego, e não vou mais enxergar nenhuma cor. Não farei mais pinturas, não conseguirei mais fazer aquarelas, tampouco aqueles desenhos. A vista está cada dia mais nebulosa, embaçada e se perdendo na tentativa de achar um foco.

Então, a minha despedida hoje é para você. Você Red, que foi a cor mais intensa, o mais forte e vivo tom que eu já tive. O mais arrebatador ser que deseperta paixão e pelo qual eu me apaixonei um dia. Tenho certeza que você será o mais difícil de esquecer, e o mais triste é que não quero te esquecer.

Mas eu não consigo achar um placebo ou algo que cure essa dor agora. Vejo esse sangue nessas feridas todas e lembro de você, e me dói o coração por todas as dores que nos causamos, eu em você e você em mim. Me lembro que você também tem os seus ferimentos aí, talvez bem mais numerosos que os meus. E me sinto mal por isso. Você está em toda a parte Red, pelas marcas e influências que você deixou nessa vida.

Olho pro por do sol e você está lá, na imensidão do horizonte, se despedindo com um simpático sorriso de boa noite – como se dissesse: “boa noite, meu amor, amanhã estou de volta, aqui.” Mas sabemos que agora, a frase não será esta. Não será você que dirá isso, apenas uma lembrança.
Lembro das nossas lutas no ringue. Talvez alguém quis provar ao outro quem era mais forte, e talvez por esse mesmo motivo, estejamos tão feridos, tão destruídos e sem forças.

Quantas vezes, caímos em conflito por outras cores, cores que estão aí sempre para fascinar, seduzir e dar sentido a vida de um artista, como cores especiais – cada um com um porque de existir. Talvez nesses momentos de tensão eu quis acreditar que era melhor te deixar de lado, mas como alguém explica uma vida sem o vermelho da terra, das frutas, do fogo, do sol? O próprio sangue que nos faz mover, há quem diga que o vermelho é a cor das paixões.

Ficar cego é algo muito doloroso, porque na verdade você já estava ficando cego aos poucos, com uma certa antecedência, mas eu não percebia isso, ia deixando os dias passarem, sem tanta preocupação e só quando chega um dia que realmente percebo que o caminho é esse. Que não é possível de voltar atrás e corrigir o que você não fez direito, pois tudo estava embaçado. Esse foi o meu erro.

Mas Red, maior, muito maior do que essa tristeza tão profunda de agora é saber que embora não conseguirei mais vê-lo, é saber que você continua batendo e pulsando forte dentro do meu peito. Alguns cegos dizem que só “enxergam” um vulto preto em sua frente. Eu sei que eu vejo um lugar seguro, e você está nele, me sinto lá como se estivesse no útero da minha mãe, seiva, vida, calor, sangue, batidas do coração.

Maior do que as lágrimas que derramei, é o tamanho e intensidade dos sorrisos que você despertou nesse rosto, e a inspiração que você deu a esse pintor, hoje tão cansado. Não é atoa que Red é uma cor primária, e você está nesse mundo não só para enfeitar, mas para criar – criar a vida, e dar um novo sentido a vida de tantas coisas, pessoas e seres desse mundo, como você deu a minha – um sentido novo, e fez coisas tão importantes, mas tão importantes que não devem ser esquecidas. Sorrisos novos estão nascendo agora, sonhos começando a serem construídos, e você faz parte disso.

As vezes eu acredito que você salvou minha vida, Red, eu estava morrendo, e você me resgatou, antes não era embaçado, mas tudo era pardo, monocromático e sem vida. E vida- é o seu segundo nome.

Obrigado por essa vida que tivemos.