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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

e tudo volta a ser barroco

tudo e tão pouco
tão bem nutrido e tão carente
tantos e tão isolado
ri e chora
fala, fala, fala e depois se cala
Ameaça e tem medo
Quer criar, mas depois aborta
Acumula e perde tudo
Acumula e joga fora
Vive e dorme.
Esquece e Espera
Espera e se cansa
Esquece e revisita
Volta e foge.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

terça-feira, 9 de junho de 2009

my heart




não sei a causa dessa emoção. é imensurável o porquê. Me lembro agora do personagem de Kevin Spacey ( Lester Burnham ) em Beleza Americana, um dos filmes que mais amo nessa vida. em sua viagem pela vida-morte, sobre os sentimentos desse mundo, descreve seu estado de arrebatamento diante de tanta beleza, sentimento, e vida que o cercava. a intensidade dessa comoção é tão grande, que ele sente que não poderá aguentar e que seu coração é pequeno demais para todo esse corpo imaterial e humano.

talvez seja o que alguns chamam de espírito, talvez o que alguns possam chamar de amor. talvez seja loucura.

é assim que eu e Lester nos sentimos hoje.

Sometimes there's so much beauty in the world I feel like I can't take it, like my heart's going to cave in.

"Então lembro de relaxar... e de tentar parar de apeguar-me a isso. Então tudo flui através de mim como chuva e só posso sentir gratidão por todos os momentos da minha vida idiota. Vocês não têm ideia do que eu estou falando, mas nao se preocupem. um dia, terão"




sábado, 6 de junho de 2009

fracassos

“Fracassei em tudo o que tentei na vida.
Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui.
Tentei salvar os índios, não consegui.
Tentei fazer uma universidade séria e fracassei.
Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei.
Mas os fracassos são minhas vitórias.
Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu"

"O primeiro ser revolucionário foi Eva. Ela inventou o orgasmo."

Darcy Ribeiro

sábado, 18 de abril de 2009

Necessária infelicidade.



Tenho aqui dois quartos, no caso estava no quarto dos fundos, junto à cozinha, onde passo as noites em claro e geralmente nesse quarto o que me desperta é o bom cheiro de alho e cebola fritando, a panela de pressão do feijão, minha mãe mexendo seus caldeirões.

Por mais meiga e aprazível que sejam essas descrições matinais, geralmente acordo bem mal humoradinho e sufocado, assustado e com o corpo..cansado.mas não vamos falar dos meus cada dia piores distúrbios do sono aqui hoje.

Hoje foi diferente. Pensei no que escreveria aqui. Estava com saudades e medo de escrever. Muito medo. Geralmente minhas tentações pra digitar nesse blog são picos de muita tristeza ou muita alegria. E um teclado nessas horas pode fazer um estrago muito forte, tanto pode causar um bem imensurável como uma desgraça. Agora, de madrugadinha estou refletindo nos sinais, nos fatos e sentimentos do dia de hoje que mexeram comigo. Como comecei, acordei feliz, com notícias maravilhosas. O celular que raramente toca aqui no interior, hoje tocou, 2, 3 vezes:

Uma notícia extremamente animadora profissionalmente, uma demonstração de carinho, uma massagem no coração daquelas de surpresa, bobas, que não dizem nada a princípio, mas que te fazem dar um sorriso bobo..



Boa parte do dia foi uma nova e calma rotina que estou aprendendo a construir aqui. Dou aulas de reforço escolar pro meu irmãozinho que está péssimo em ortografia, vou pra minha academia que voltei a pegar gosto pelos exercícios, vejo a novela, os jornais, almoço e janto todo dia e nas horas certas, essa vidinha. PROVINCIANA. Mas é uma vidinha misturada com as notícias e surpresas que me acordaram.

Uma vidinha que anda salpicada com momentos de choque, desgraça, ódio, absurdo, mágoa, muita mágoa. E também com tudo que é o contrário disso. E claro. Com a excitação do próximo capitulo.

O que move essa vidinha contraditória, é a esperança, é a fé em algo, não importa o que seja. Pouco importa o objeto dessa fé. Pra você pode ser um emprego, um amor, uma cura para sua doença, um corpo sarado, fama, sexo..talvez no fim, tudo leve ao mesmo lugar, que acredito ser um sorriso, aquele sentimento que buscamos a vida toda que é se sentir especial nesse mundo.




Nessa busca de se sentir especial eu e você perseguimos com muita fome a tal estabilidade que rima com uma palavrinha desgraçada chamada felicidade. Que porra é essa chamada Felicidade? Desconfio que a tal felicidade e nossa obsessão por ela é o que nos fode, é o que nos mais decepciona. Falando assim parece que sou fechado e deprimido, mas acho que não, sou um palhaço.

Porque agora, nesse exato momento não acredito que exista uma felicidade. Minha ultima semana foi um campo de batalha na minha mente e no meu ego, sorvendo todas as mágoas de caboclo, de cacique, do cowboy, do diabo que tenho direito. Porque hoje especialmente recebi boas e gostosas noticias, não quer dizer que virei uma pessoa feliz, assim magicamente.

Não só isso, mas sinto vergonha de afirmar, de panfletar, de escancarar pro mundo que estou feliz quando é caso. Eu não sei. Tenho uma desconfiança absurda com quem faz questão de se mostrar uma pessoa convicta do seu bem estar. Só fiquei mais esperançoso com essa vida, e isso não tem preço. É isso que quero perseguir.

Mais sorrisos de 1 minuto. Mais coisas que talvez não são concretas como as que ainda sonho, mas que me movem, ou me dão essa ilusão. Eu faço questão. Eu não tenho outra saída a não ser essa. Depois desse dia tão gostoso, no meio da rua - interditada -tinha uma multidão. Ambulâncias, carros da polícia, pessoas chorando, macas.

O ônibus com os estudantes da cidade vizinha que os traziam pra estudar a noite na Faculdade daqui capotou na estrada. Sei que morreu alguém, mas ainda não sei quantos. Paro a bicicleta e pergunto sobre, e me contam outros detalhes.
Estou me perguntando agora se alguém que estava no ônibus tinha tido um dia feliz como o que eu tive.




Não serei hipócrita e dizer que fiquei menos otimista, que as coisas que me alegraram desapareceram com a notícia do acidente das pessoas que não conhecia. Não. Não mudou nada. Mas não paro de pensar no que elas estavam sentindo antes da tragédia. O que os que sobreviveram e os queridos dos que morreram estão sentindo agora todos nós sabemos.

Mas e antes..do que falavam as amigas nos bancos? Aquele rapaz iria conseguir aquele tão desejado estágio. Aquela paixão antiga dela reapareceu e mandou um beijo, ela ficou toda boba. Todos estavam com planos, buscando algo, como nós.
Tenho duas opções.
A primeira: Acredito no eterno enquanto dure, mergulho minha cabeça no oceano da minha paixão por algo, na minha felicidade que aparecerá e vou agarrá-la com todas as forças e jamais permitirei que alguém ouse estragá-la. É o que chamam de viver a vida intensamente.

A segunda: aprender a viver com o efêmero. A aceitar que minha felicidade pode desaparecer com a rapidez de um relâmpago. Talvez aprender a ser como borboletas, libélulas e belos insetos que sabem que viverão por no máximo 1, 2 semanas. Aceitar o fato que vou oscilar sempre e não me apegar.

Terceiras, quartas, quintas opções. Será um prazer conhecer outras.
Termino aqui, feliz, apesar de tudo. Mas talvez amanhã não. Não sei se essa desconfiança é negativa ou positiva. Se me fará uma pessoa melhor. Mas por ora, é o que me deixa mais calmo e sereno. Vamos ver por quanto tempo.




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minutemens e olhões ontem e hoje

Agradeço às menines do Grupo Otaklub ( forever... nosso destino está fadado a carregar pra sempre esse nome engraçado. Acho meigo ) pelos scans de Watchmen.

Estou gostando e deixando pra ler aqueles anexos e documentos do fim dos gibis depois que ler toda a saga, tipo um extra de DVD quando termina de ver o filme. Por mais medo que eu tenha dele, Allan Moore é realmente um dos melhores roteiristas que existem. Lembro de quase dez anos atrás quando estava com vários volumes de Watchmen em casa pra ler e nem sonhava que viraria modinha hoje. Eu nem liguei muito, sabe.




Obviamente eu estava em êxtase e deslumbrado com o mundo do mangá recém descoberto naquela época. Os japoneses são muito apelativos visualmente e acho que isso que faz deles tão bons. As páginas barrocas do Clamp, As crises de depressão pós episódios de Evangelion, Os Cabelos da Belldandy de Oh My Godess!..



Acho que tudo tem uma época e tempo certo. Eu simplesmente não tinha maturidade suficiente, cabeça nem interesse por uma obra como Watchmen.
Mas tive a sorte de ter amigos como o Thiago que me apresentaram Neil Gaiman, com a linda Morte, o Grande Momento da vida.

Da mesma fonte de riqueza de gostos e estilos que nosso grupo tinha, os que eram fans do comics, do mangá purista, das coisas sombrias e densas da Vertigo..toda essa miscelânea só foi positiva pra todos, e todos saíram ganhando eu acredito.
Hoje somos meio que a mesma coisa, uns designers, publicitários, artistas plásticos, videomakers, escritores,..eu amo essa pluralidade.

Meninos, por ora sem episódios constrangedores daquela época que só nós mesmos iríamos achar graça, mas é assim que funcionam as melhores turmas. Estou gostando de Watchmen. Fazia tempo que não vira um traço ocidental “puro” antes da epidemia mangática que devorou o quadrinho ocidental.

O jeito que eles faziam sombras com nanquim em áreas pretas e não retículas..Não falo isso como tragédia, pois continuo amando mangá, mas sabemos que pouca coisa disso que chamam de mangalóide presta .

gosto de apreciar as qualidades de cada estilo. – separados, às vezes. - deu uma saudade de voltar a ler quadrinhos, de todos estilos, boas obras. Muita. E principalmente saudade de voltar a fazer fanzine. Mas isso a gente não faz de falta de vergonha nas nossas caras gordas. Ia bombar.
Agora dá licença que vou voltar a ler Watchmen. Tudo é tão familiar com as noticias da mídia hoje, não acham?

Quanto ao filme, falo o que sempre falei – quando passar na Tela Quente, eu vejo!

domingo, 11 de janeiro de 2009

Ever close your eyes?Ever stop and listen?Ever feel aliveAnd you've nothing missing?You don't need a reasonLet the day go on and on

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THE END IS NEAR.



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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

news

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Me perguntam como estou. por ser um costume cotidiano de educação, as vezes me lembro que essa pergunta é muito mais profunda do que na realidade aparenta. Como você está, levando para um lado bem mais existencialista, soa como toda uma varredura, uma auto análise em que tento contabilizar o que anda acontecendo comigo, e o que tenho feito desses dias. óbvio que nínguem vai parar e agir dessa forma quando for abordado por um " oi, tudo bem, como vai você ?

EM 2002, tive uma profunda decepção amorosa, e me lembro que sem muito acesso aos escapismos como orkut e messenger da vida, uma das coisas que eu gostava era escrever uns poemas, dramáticos, tristes, e muito, muito cafonas. jamais teria coragem de mostrar pra alguém hoje em dia, mas na época tinham um "quê" de analgésicos. analgésicos aliás, é tudo que preciso, e anda correndo nas minhas veias, estou muito doente essa semana, com uma inflamação nas glândulas salivares, o que me deixa sem ãnimo e coragem de sair de casa, ( fora o rosto inchado..), por isso, que esses ímpetos de escrever, mesmo que bobagens, voltam.

Bom, não só Neosaldina e Paracetamol que eu preciso agora, mas uma boa dose de analgésico pra alma também. quem acompanha meu blog, ou meus amigos, sabem das reviravoltas que a vida da gente passa. Na verdade, nesse momento, me sinto devastado. acho que seria a melhor palavra para descrever esses estados. ao mesmo tempo um sentimento de profunda renúncia, e aceitação, distopias..distopias...

talvez por essa distopia, é que esteja relativamente calmo. letárgico.

fazendo toda essa varredura interna, relacionando essas crises profissionais, a saudade de casa, as tristezas do amor, e tantas outras problematizações, concluo que talvez destruir e acabar com tudo que tá mais ou menos, pra começar do zero, denovo, não é uma má idéia. e isso se reflete em todos aspectos da vida.

imagine uma tecla RESET.




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o que fazer, agora?

Ontem, caro amigo, você me disse que não se adapta às normas desse mundo. Queria ter agora uma receita de bolo, uma soluçao ou frase de efeito pra te dizer que tudo melhora e vai mudar. Talvez melhore, talvez não. é tudo uma questão de comunicação e acesso entre as pessoas. é tudo que a distância e o silêncio sufocaram.


algum sentido nesse caos deve ter.

afinal de contas, estamos vivos.



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terça-feira, 28 de outubro de 2008

apocalipse

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Por ter nascido em Unaí, no nororeste de Minas, devia estar mais do que acostumado com o calor, pois na região do planalto central, no meio do cerrado, é comum atingir 40 graus várias vezes no ano. Lá quase não venta também, os habitantes têm o costume de não deixar árvores nas calçadas para que as raízes não "estraguem" o meio fio..ou seja: uma sauna o tempo todo.

e por mais que eu ache coisa de velha e chato falar do tempo, não tem como ignorar que a temperatura em Belo Horizonte está fora, muito fora do normal, ao ponto de não conseguir trabalhar direito..a lombeira no escritório, mais a náusea de ficar na academia, ( outra sauna ), está inviável levar o dia adiante.

aí vou na rua comprar duas casquinhas do McDonalds, e vejo uma turma grande até, do Greenpeace, panfletando, talvez cadastrando novos membros-simpatizantes, sei lá o quê. e fiquei pensando..
não adianta muita coisa da parte deles. Já estamos todos condenados à auto-aniquilação mesmo. talvez esse instinto destrutivo, seja algo legítimo da natureza humana. O clima já está todo perturbado, esse aquecimento global está aí escancarado, e sentimos na pele o preço desse conceito de evolução tecnológica.
enfim..a imagem do Greenpeace com seus coletes verde cáqui em pleno sol escaldante cada dia mais forte em BH não despertou em mim nada mais que uma ilustração utópica e parda para uma realidade irreversível. Cabe a nós sabermos como viver nessas ruínas modernas, desenvolvidas, antes do fim, de fato.



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