
Aproveitando o link do post abaixo, hoje me deparando com algumas pessoas ( gays ) em uma reunião sobre projetos de noite, criação de flyers e afins, fiquei pensando sobre um clichê, uma falácia pedantíssima que muita gente ainda acredita: o tal bom gosto e sofisticação natural, de nascença que os gays supostamente têm, simplesmente por serem gays.
De cara já falo que acho isso uma gigante besteira. Trabalho e lido diariamente com gays de péssimo gosto, com "criações" cafonas, que chegam a ser pavorosas e altamente prejudiciais à visão. Desde flyers monstruosamente feios de baladas que soam assustadoras e suspeitas, à projetos de decoração, estilismo, ambientação e tudo mais. o que há em comum em todas as manifestações do cafonismo é um profundo deslumbramento consumista, principalmente com o que vêm de fora engolido sem pensar 2 vezes e uma arrogância estética e cultural, onde um pseudo conhecimento superficial de temas, estilos e conceitos são usados de forma hedionda, horrenda. não há como ficar bom.
Não acho ruim misturas, encontros e hibridismos, e muito menos manifestações populares, muito pelo contrário. mas me irrita essa confiança absoluta que muitos profissionais da área mantém, com boas doses de blasé. " meu sangue taia" nesses momentos em que sou obrigado a lidar com esses tipos.
Não é a orientação sexual que deixa a pessoa mais ou menos mais sofisticada e de bom gosto, aliás, o conceito de bom gosto é frágil e relativo. Gays não nascem mais dispostos e sensíveis às artes, literatura, cinema, moda e decoração. Concordo que podem ser bastante curiosos em descobrir e fuçar coisas que poderão se tornar tendências e manias posteriormente, principalmente na música pop e eletrônica, mas isso ainda não é um privilégio dos homos.
O que faz alguém mais interessante e culto é o constante interesse em ler, em pesquisar, se aprofundar sempre mais nos assuntos prediletos, em nunca se acomodar achando que já é muito entendido e expert em alguma área de conhecimento. é perguntar, e principalmente ouvir, se abrir ao novo, e ao velho também, afinal sem história, não há presente nem futuro.
É explorar outros quintais, tentando deixar o máximo de preconceito de lado. é aprender a trocar lâmpada e chuveiro, aprender um esporte, fazer uma viagem inusitada, é pensar além de N.Y., Paris, London e Ibiza. é não fingir que aprecia Maria Callas e balé, quando no fundo você odeia ou não entende. mais sincero é assumir que não conhece e tentar absorver e entender, sem afetação e com humildade.
Você nasceu assim, mas não precisa se limitar e pagar mico com tanta cafonice.





